terça-feira, 21 de agosto de 2012

O sincretismo cultural e seu papel na formação da Umbanda no Brasil.


Dentro das indagações do ser humano, o saber e o “falso saber” se confundem e a melhor maneira para se evitar esta confusão é a busca legítima do conhecimento.
Dentro das indagações do ser humano, o saber e o “falso saber” se confundem e a melhor maneira para se evitar esta confusão é a busca legítima do conhecimento. Seja esta busca de maneira espiritual (empírica) através da mediunidade e trocas com as entidades seja através de estudos e análises do conhecimento adquirido e publicado. Quando se trata de fé, diferente de outras variáveis estudadas e controladas no ambiente acadêmico, o empirismo e a magia do inexplicável devem ser levado em consideração e não refutado como de praxe pelo rigor metodológico necessário ao ambiente estritamente científico.
No contexto de discussão sobre sincretismo religioso, levando em consideração o pensamento sistêmico, o profano e o sagrado se misturam com a ciência, o empírico e a fé.
Orientados pelo principal objetivo de manter os pés no chão, iremos discutir e analisar o sincretismo dentro do paradigma da complexidade.
Na busca de referencial sobre esta temática, facilmente depara-se com uma quantidade inimaginável de textos que contêm “de tudo” (paixão, ideologia, preconceito, militância, ignorância, racismo e etc.) menos textos com sólido embasamento (fundamentação) e isenção de opiniões pessoais. Diante de tal constatação, torna-se óbvio que o questionamento da metodologia adotada na busca destes referenciais torna-se essencial.
Com base em diversos textos disponíveis na internet e bibliografias de referência, uma conclusão é possível: sincretismo é um tema polêmico e quando adicionamos a palavra Umbanda a um site de busca, o radicalismo se acentua. Alguns adeptos de outras religiões não escondem o preconceito e a ira que sentem contra essa corrente. Em muitos textos se encontrou calorosa guerra entre umbandistas e evangélicos, denotando a passionalidade do assunto que pouco contribui para o genuíno conhecimento.
Continuando a busca, dentro dos textos umbandistas identificam-se diversas opiniões, explicações, algumas a favor do sincretismo, outras contra, algumas de caráter científico, outras leigas, mas por hora nada que possibilitasse chegar a alguma conclusão.
Antes de prosseguirmos a pesquisa, buscamos auxílio nas mais tradicionais fontes de dados, que seriam o dicionário e a Enciclopédia.
A seguir a definição de sincretismo e umbanda:
Umbanda segundo o Aurélio (versão 2011): “1. Bras. Rel. Sincretismo nascido no Rio de Janeiro na virada do século XX e talvez derivado da cabula (q. v.), que já no fim do século XIX registra elementos bantos, espíritas e palavras do jargão umbandista atual; hoje, a umbanda apresenta-se fracionada em dezenas de grupos que englobam influências esotéricas, cabalísticas, orientais, católicas, etc. [Cf. macumba (3) e quimbanda (1).] 2. Angol. Artes da feitiçaria. Umbanda branca. Rel. Culto umbandista muito próximo ao kardecismo, que só trabalha para o bem e no qual só se usam roupas rituais simples e brancas; umbanda de branco, umbanda de cáritas, umbanda de linha branca. Umbanda de angola. Rel. Culto umbandista muito influenciado pelo candomblé de rito angola, tal como o culto omolocô (q. v.). Umbanda de branco. Rel. V. umbanda branca. Umbanda de cáritas. Rel. V. umbanda branca. Umbanda de linha branca. Rel. V. umbanda branca.”
Umbanda segundo a Enciclopédia (versão 2011): “UMBANDA s.m. (termo de origem banto, de significado análogo ao de quimbanda) Grão-sacerdote adivinho ou médico-feiticeiro. / - S.f. Bras. (RJ) Designação dos cultos afro-brasileiros, que se confundem com os da macumba e dos candomblés (BA), do xangô (PE), da pajelança (Amazônia), do catimbó (NE) e outros cultos sincréticos. / Terreiro onde se pratica esse ritual.”
Sincretismo segundo o Aurélio (versão 2011): “Substantivo masculino. 1. Filos. Tendência à unificação de ideias ou de doutrinas diversificadas e, por vezes, até mesmo inconciliáveis. [Cf., nesta acepç., ecletismo (1).] 2. Amálgama de doutrinas ou concepções heterogêneas: “As inteligências que mais ou menos diretamente nos governam estão com relação à administração ultramarina num estado de sincretismo bramânico, em que nada se compreende, em que nada se resolve” (Ramalho Ortigão, As Farpas, IV, p. 270). 3. Fusão de elementos culturais diferentes, ou até antagônicos, em um só elemento, continuando perceptíveis alguns sinais originários. 4. Psicol. Percepção global e indistinta, da qual surgem, depois, objetos distintamente percebidos.”   
Sincretismo segundo a Enciclopédia (versão 2011): “SINCRETISMO s.m. Sistema filosófico ou religioso que tende a fundir numa só várias doutrinas diferentes; ecletismo. / Amálgama de concepções heterogêneas. / Psicologia Percepção global e confusa que, segundo certos psicólogos, seria a primeira percepção da criança, e da qual emergiriam em seguida objetos distintamente percebidos.”
Interessante notar o conjunto de palavras que surgiram nos instrumentos apresentados acima (dicionário e enciclopédia):
  • Elementos bantos, espíritas.
  • Influências esotéricas, cabalísticas, orientais, católicas.
  • Artes da feitiçaria.
  • Umbanda branca.
  • Muito próximo ao kardecismo.
  • Umbanda de branco, Umbanda de cáritas, Umbanda de linha branca e Umbanda de angola.
  • Influenciado pelo candomblé de rito angola.
  • Culto omolocô.
  • Origem banto.
  • Adivinho ou médico-feiticeiro.
  • Cultos afro-brasileiros.
  • Macumba.
  • Pajelança.
  • Catimbó.
  • Outros cultos sincréticos.
Partindo desta análise, pode-se inferir a complexidade e múltiplas influências que a Umbanda sofreu em seu longo caminho, desde a invasão das terras indígenas pelos portugueses, os séculos seguintes de dominação, exploração e miscigenação cultural em solo brasileiro até o seu surgimento, já no século XX. No termo sincretismo percebe-se a ideia de fusão, ligação de ideias (princípios filosóficos ou religiosos).
Sincretismo e Umbanda são inseparáveis, muitos autores diferem no grau de influência afro, kardecista, católica, indígena entre outras, mas praticamente em sua totalidade os autores concordam que a Umbanda é fruto do sincretismo.
Refletindo, será que existe alguma religião isenta de influências, isenta de sincretismo?
Será que existe um ser supremo legitimo (não sincretizado)? Seria o grande arquiteto, Zambi, Deus, Buda, Shiva, Krishna, Javé, Obatalá, etc? Os demais seriam derivações (consequências sincretizadas)?
Ou o homem dentro de sua grande limitação necessita de analogias, contextos para poder espreitar o divino?
E será que esta artimanha é que se sincretiza com outras artimanhas? Depois de tantas indagações torna-se legitimo pensar, os Orixás, os Deuses, não sincretizam! Quem sincretiza é o homem na sua ânsia compreender o divino.
Novamente, conclui-se que sem sincretismo não existiria a Umbanda. Falar em cultura e vida social no Brasil é falar no multiculturalismo, na influência de todos os povos que aqui estiveram entre eles negros, índios, povos asiáticos e do velho continente, como os jesuítas e a imposição do catolicismo, facilmente notável em nossos hábitos, fazeres e preconceitos cotidianos. Preconceitos não necessariamente negativos, mas sim na ideia de “pré – conceito” onde julgamos conhecer e realizamos um conceito “pré” mesmo sem conhecer. A existência do preconceito denota reflexos de uma cultura (e porque não dizer culturas).
Ressalta-se que quando se fala em povos índigenas e africanos no Brasil, estamos citando um sem número de culturas diferenciadas tanto pré-cabralinas (no tocante aos nativos desta terra), quanto africanas (no que diz respeito aos cativos vindos da África). Não é apenas citar o mito das três raças (brancos, negros e índios), mas sim uma enormidade de culturas, povos e jeitos de ver, viver e fazer a vida em sociedade e também de saudar e conviver com a religiosidade.
Com relação à Umbanda, partindo da linha de raciocínio que a mesma foi fundada por Zélio de Moraes, pode-se supor que a mesma possui um sincretismo pensado; o mestre Zélio e os precursores dessa nova corrente religiosa retiraram das macumbas cariocas uma série de conceitos que eram considerados primitivos, desnecessários ou ultrapassados e utilizaram hábitos e fazeres alinhados com o espiritismo Kardecista para a criação de uma nova religião que não poderia ser chamada de Kardecista ou afro-brasileira, mas mista (sincretizada). Ao retirar as práticas de suas origens e “mistura-las” em um novo ritual, estas perdem a personalidade que possuíam e passam a possuir novo significado dentro uma nova religião: Umbanda.
A máxima de que cada pai de santo toca seu ritual da forma que prefere resume bem essa ideia. Alguns tendem para o lado das africanidades, outros do espiritismo kardecista, outros candomblé e assim por diante. Ainda, existe uma forte influência católica, inegável no sincretismo criador da nossa religião.
É desse “caldo” cultural que nasceu a Umbanda.
Sincretismo, assim, tem vários significados. Mas o principal, no tocante à Umbanda, é a ideia de "bricolagem" ligada ao antropólogo Levy Strauss. Nessa teoria, as culturas só se "sincretizam", se conectam formando novas culturas, nos pontos onde possuem semelhanças. Por exemplo, a cultura banta (africana) conectou-se com o espiritismo kardecista (de origem europeia) na questão relativa ao culto aos antepassados, à comunicação com espíritos. Os povos indígenas utilizavam os poderes mágico-religiosos de seus pajés para a cura, assim como outros povos africanos e os guias do oriente umbandistas.
Naquilo que possuem em comum, acontece o sincretismo: Ogum é São Jorge pelas características comuns do santo e do orixá enquanto guerreiros. Os caboclos de Ogum, desta forma, são uma ocorrência puramente umbandista, pois reúnem em si a manifestação da natureza do orixá ioruba (Ogum), a figura do caboclo (reconhecida como oriunda dos povos sertanejos unicamente do Brasil) e o imaginário católico sobre o Santo Guerreiro. Assim, da fusão de vários elementos nasce um personagem único, existente apenas em nosso país e na Umbanda, o Caboclo de Ogum.
Mesmo a ideia de um Deus maior é coincidente entre estas várias correntes religiosas: Zambi para os bantos, Jeová para alguns cristãos. Na internet existem referências dizendo que a origem da palavra "Oxalá" é Árabe, sendo uma distorção do famoso Inshalla (Deus queira, Deus permita), provavelmente uma reminiscência da dominação muçulmana em regiões do continente africano.
No Brasil, a grande ocorrência de dicotomias e convergências acabaram sendo criadoras de um multiculturalismo fantástico, inexistente em outras partes do planeta. A Umbanda pode ser entendida tanto como fruto e filha desta "panela de pressão" étnica, como seu principal exemplo, pois possui em seu corpo exemplos de tudo e todos que constituem nossa nação e cultura.
Longe de estar “pronta”, essa nova corrente religiosa vai se adaptando aos tempos, evoluindo junto com o ser humano e, sem sombra de dúvidas, fortalecendo sua personalidade enquanto religião desprovida de dogmas e regras rígidas, mostrando sua seriedade e virtudes, derrubando preconceitos e quebrando paradigmas.

Grupo de Estudos Terreiro do Pai Maneco
O sincretismo cultural e seu papel na formação da Umbanda no Brasil.
Edgar Cavalli Junior
Paulo C. Porto Martins
Rodrigo Fornos

domingo, 19 de agosto de 2012

OS ORIXÁS


Um pouco de História:

Na aurora de sua civilização, o povo africano mais tarde conhecido pelo nome de iorubá, chamado de nagô no Brasil e lucumi em Cuba, acreditava que forças sobrenaturais impessoais, espíritos, ou entidades estavam presentes ou corporificados em objetos e forças da natureza. Tementes dos perigos da natureza que punham em risco constante a vida humana, perigos que eles não podiam controlar, esses antigos africanos ofereciam sacrifícios para aplacar a fúria dessas forças, doando sua própria comida como tributo que selava um pacto de submissão e proteção e que sedimenta as relações de lealdade e filiação entre os homens e os espíritos da natureza.
Muitos desses espíritos da natureza passaram a ser cultuados como divindades, mais tarde designadas orixás, detentoras do poder de governar aspectos do mundo natural, como o trovão, o raio e a fertilidade da terra, enquanto outros foram cultuados como guardiões de montanhas, cursos d'água, árvores e florestas. Cada rio, assim, tinha seu espírito próprio, com o qual se confundia, construindo-se em suas margens os locais de adoração, nada mais que o sítio onde eram deixadas as oferendas. Um rio pode correr calmamente pelas planícies ou precipita-se em quedas e corredeiras, oferecer calma travessia a vau, mas também mostra-se pleno de traiçoeiras armadilhas, ser uma benfazeja fonte de alimentação piscosa, mas igualmente afogar em suas águas os que nelas se banham. Esses atributos do rio, que o torna ao mesmo tempo provedor e destruidor, passaram a ser também o de sua divindade guardiã. Como cada rio é diferente, seu espírito, sua alma, também tem características específicas. Muitos dos espíritos dos rios são homenageados até hoje, tanto na África, em território iorubá, como nas Américas, para onde o culto foi trazido pelos negros durante a escravidão e num curto período após a abolição, embora tenham, com o passar do tempo, se tornado independentes de sua base original na natureza.

O contato entre os povos africanos, tanto em razão de intercâmbio comercial como por causa das guerras e domínio de uns sobre outros, propiciou a incorporação pelos iorubás de divindades de povos vizinhos, como os voduns dos povos fons, chamados jejes no Brasil, entre os quais se destaca Nanã, antiga divindade da terra, e Oxumarê, divindade do arco-íris. O deus da peste, que recebe os nomes de Omulu, Olu Odo, Obaluaê, Ainon, Sakpatá e Xamponã ou Xapanã, resultou da fusão da devoção a inúmeros deuses cultuados em territórios iorubá, fon e nupe. As transformações sofridas pelo deus da varíola, até sua incorporação ao panteão contemporâneo dos orixás, mostra a importância das migrações e das guerras de dominação na vida desses povos africanos e seu papel na constituição de cultos e conformação de divindades.

Dentro da cultura do Candomblé, o Orixá é considerado a existência de uma “vida passada na Terra”, na qual os Orixás teriam entrado em contato direto com os seres humanos, aos quais passaram ensinamentos diretos e se mostraram em forma humana.  Essa teria sido uma época muito distante na qual o ser humano necessitava da presença física dos Orixás, pois o ser humano ainda se encontrava em um estágio muito primitivo, tanto materialmente como espiritualmente.
Após passarem seus ensinamento voltaram à Aruanda, mas deixaram na Terra sua essência e representatividade nas forças da natureza.
O que é Orixá?

O planeta em que vivemos e todos os mundos dos planos materiais se mantêm vivos através do equilíbrio entre as energias da natureza.  A harmonia planetária só é possível devido a um intrincado e imenso jogo energético entre os elementos químicos que constituem estes mundos e entre cada um dos seres vivos que habitam estes planetas.

Um dado característico do exercício da religião de Umbanda é o uso, como fonte de trabalho, destas energias. Vivendo no planeta Terra, o homem convive com Leis desde sua origem e evolução, Leis que mantêm a vitalidade, a criação e a transformação, dados essenciais à vida como a vemos desenvolver-se a cada segundo. Sem essa harmonia energética o planeta entraria no caos.

O fogo, o ar, a terra e a água são os elementos primordiais que, combinados, dão origem a tudo que nossos corpos físicos sentem, assim como também são constituintes destes corpos.

Acreditamos que esses elementos e suas ramificações são comandados e  trabalhados por Entidades Espirituais que vão desde os Elementais (espíritos em transição atuantes no grande laboratório planetário), até aos Espíritos Superiores que inspecionam, comandam e fornecem o fluido vital para o trabalho constante de CRIAR, MANTER e TRANSFORMAR a dinâmica evolutiva da vida no Planeta Terra.

A esses espíritos de alta força vibratória chamamos ORIXÁS, usando um vocábulo de origem Yorubana.  Na Umbanda são tidos como os maiores responsáveis pelo equilíbrio da natureza. São conhecidos em outras partes do mundo como "Ministros" ou "Devas", espíritos de alta  vibração evolutiva que cooperam diretamente com Deus, fazendo com que Suas Leis sejam cumpridas constantemente.

O uso de uma palavra que significa “dono da cabeça” (ORI-XÁ) mostra a relação existente entre o mundo e o indivíduo, entre o ambiente e os seres que nele habitam.  Nossos corpos têm, em sua constituição, todos os elementos naturais em diferentes proporções.  Além dos espíritos amigos que se empenham em  nossa vigilância e auxílio morais, contamos com um espírito  da natureza, um Orixá pessoal que cuida do equilíbrio energético, físico e emocional de nossos corpos físicos.

Nós, seres espirituais manifestando-se em corpos físicos, somos influenciados pela ação dessas energias desde o momento do nascimento. Quando nossa personalidade (a personagem desta existência) começa a ser definida, uma das energias elementais predomina – e é a que vai definir, de alguma forma, nosso "arquétipo".

Ao Regente dessa energia predominante, definida no nosso nascimento, denominamos de nosso Orixá pessoal, "Chefe de Cabeça", "Pai ou Mãe de Cabeça", ou o nome esotérico "ELEDÁ".   A forma como nosso corpo reage às diversas situações durante esta encarnação, tanto física quanto emocionalmente, está ligada ao “arquétipo”, ou à personalidade e características emocionais que conhecemos através das lendas africanas sobre os Orixás.  Junto a essa energia predominante, duas outras se colocam como secundárias, que na Umbanda denominamos de "Juntós", corruptela de "Adjuntó", palavra latina que significa auxiliar, ou ainda, chamamos de "OSSI" e "OTUM", respectivamente na sua ordem de influência.
Quando um espírito vai encarnar, são consultados os futuros pais, durante o sono, quanto à concordância em gerar um filho, obedecendo-se à lei do livre arbítrio. Tendo os mesmos concordado, começa o trabalho de plasmar a forma que esse espírito usará no veículo físico. Esta tarefa é entregue aos poderosos Espíritos da Natureza, sendo que um deles assume a responsabilidade dessa tarefa, fornecendo a essa forma as energias necessárias para que o feto se desenvolva, para que haja vida. A partir desse processo, o novo ser encarnado estará ligado diretamente àquela vibração original. Assim surge o ELEDÁ desse novo ser encarnado, que é a força energética primária e atuante do nascimento.

Nesse período, os Elementais trabalham incessantemente, cada um na sua respectiva área, partindo do embrião até formar todas as camadas materiais do corpo humano, que são moldadas até nascer o novo ser com o seu duplo etérico e corpo denso.

Após o nascimento, essa força energética vai promovendo o domínio gradativo da consciência da alma e da força do espírito sobre a forma material até que seja adquirida sua personalidade por meio da Lei do livre Arbítrio. A partir daí essa energia passa a atuar de forma mais discreta, obedecendo a esta Lei, sustentando-lhe, contudo, a forma e energia material pela contínua manutenção e transformação, no sentido de manter-lhe a existência.

A cada reencarnação, de acordo com nossas necessidades evolutivas e carmas a serem cumpridos, somos responsáveis por diferentes corpos, e para cada um destes nossos corpos, podemos contar com o auxílio de um Espírito da Natureza, um Orixá protetor.  É normalmente quem se aproxima do médium quando estes invocam seu Eledá. Em todos os rituais de Umbanda, de modo especial nas Iniciações, a invocação dessa força é feita para todos os médiuns quando efetuam seus Assentamentos, meio de atração, para perto de si, da energia pura do seu ELEDÁ energético e das energias auxiliares, ou "OSSI" e "OTUM.

OS ORIXÁS


Um pouco de História:

Na aurora de sua civilização, o povo africano mais tarde conhecido pelo nome de iorubá, chamado de nagô no Brasil e lucumi em Cuba, acreditava que forças sobrenaturais impessoais, espíritos, ou entidades estavam presentes ou corporificados em objetos e forças da natureza. Tementes dos perigos da natureza que punham em risco constante a vida humana, perigos que eles não podiam controlar, esses antigos africanos ofereciam sacrifícios para aplacar a fúria dessas forças, doando sua própria comida como tributo que selava um pacto de submissão e proteção e que sedimenta as relações de lealdade e filiação entre os homens e os espíritos da natureza.
Muitos desses espíritos da natureza passaram a ser cultuados como divindades, mais tarde designadas orixás, detentoras do poder de governar aspectos do mundo natural, como o trovão, o raio e a fertilidade da terra, enquanto outros foram cultuados como guardiões de montanhas, cursos d'água, árvores e florestas. Cada rio, assim, tinha seu espírito próprio, com o qual se confundia, construindo-se em suas margens os locais de adoração, nada mais que o sítio onde eram deixadas as oferendas. Um rio pode correr calmamente pelas planícies ou precipita-se em quedas e corredeiras, oferecer calma travessia a vau, mas também mostra-se pleno de traiçoeiras armadilhas, ser uma benfazeja fonte de alimentação piscosa, mas igualmente afogar em suas águas os que nelas se banham. Esses atributos do rio, que o torna ao mesmo tempo provedor e destruidor, passaram a ser também o de sua divindade guardiã. Como cada rio é diferente, seu espírito, sua alma, também tem características específicas. Muitos dos espíritos dos rios são homenageados até hoje, tanto na África, em território iorubá, como nas Américas, para onde o culto foi trazido pelos negros durante a escravidão e num curto período após a abolição, embora tenham, com o passar do tempo, se tornado independentes de sua base original na natureza.

O contato entre os povos africanos, tanto em razão de intercâmbio comercial como por causa das guerras e domínio de uns sobre outros, propiciou a incorporação pelos iorubás de divindades de povos vizinhos, como os voduns dos povos fons, chamados jejes no Brasil, entre os quais se destaca Nanã, antiga divindade da terra, e Oxumarê, divindade do arco-íris. O deus da peste, que recebe os nomes de Omulu, Olu Odo, Obaluaê, Ainon, Sakpatá e Xamponã ou Xapanã, resultou da fusão da devoção a inúmeros deuses cultuados em territórios iorubá, fon e nupe. As transformações sofridas pelo deus da varíola, até sua incorporação ao panteão contemporâneo dos orixás, mostra a importância das migrações e das guerras de dominação na vida desses povos africanos e seu papel na constituição de cultos e conformação de divindades.

Dentro da cultura do Candomblé, o Orixá é considerado a existência de uma “vida passada na Terra”, na qual os Orixás teriam entrado em contato direto com os seres humanos, aos quais passaram ensinamentos diretos e se mostraram em forma humana.  Essa teria sido uma época muito distante na qual o ser humano necessitava da presença física dos Orixás, pois o ser humano ainda se encontrava em um estágio muito primitivo, tanto materialmente como espiritualmente.
Após passarem seus ensinamento voltaram à Aruanda, mas deixaram na Terra sua essência e representatividade nas forças da natureza.
O que é Orixá?

O planeta em que vivemos e todos os mundos dos planos materiais se mantêm vivos através do equilíbrio entre as energias da natureza.  A harmonia planetária só é possível devido a um intrincado e imenso jogo energético entre os elementos químicos que constituem estes mundos e entre cada um dos seres vivos que habitam estes planetas.

Um dado característico do exercício da religião de Umbanda é o uso, como fonte de trabalho, destas energias. Vivendo no planeta Terra, o homem convive com Leis desde sua origem e evolução, Leis que mantêm a vitalidade, a criação e a transformação, dados essenciais à vida como a vemos desenvolver-se a cada segundo. Sem essa harmonia energética o planeta entraria no caos.

O fogo, o ar, a terra e a água são os elementos primordiais que, combinados, dão origem a tudo que nossos corpos físicos sentem, assim como também são constituintes destes corpos.

Acreditamos que esses elementos e suas ramificações são comandados e  trabalhados por Entidades Espirituais que vão desde os Elementais (espíritos em transição atuantes no grande laboratório planetário), até aos Espíritos Superiores que inspecionam, comandam e fornecem o fluido vital para o trabalho constante de CRIAR, MANTER e TRANSFORMAR a dinâmica evolutiva da vida no Planeta Terra.

A esses espíritos de alta força vibratória chamamos ORIXÁS, usando um vocábulo de origem Yorubana.  Na Umbanda são tidos como os maiores responsáveis pelo equilíbrio da natureza. São conhecidos em outras partes do mundo como "Ministros" ou "Devas", espíritos de alta  vibração evolutiva que cooperam diretamente com Deus, fazendo com que Suas Leis sejam cumpridas constantemente.

O uso de uma palavra que significa “dono da cabeça” (ORI-XÁ) mostra a relação existente entre o mundo e o indivíduo, entre o ambiente e os seres que nele habitam.  Nossos corpos têm, em sua constituição, todos os elementos naturais em diferentes proporções.  Além dos espíritos amigos que se empenham em  nossa vigilância e auxílio morais, contamos com um espírito  da natureza, um Orixá pessoal que cuida do equilíbrio energético, físico e emocional de nossos corpos físicos.

Nós, seres espirituais manifestando-se em corpos físicos, somos influenciados pela ação dessas energias desde o momento do nascimento. Quando nossa personalidade (a personagem desta existência) começa a ser definida, uma das energias elementais predomina – e é a que vai definir, de alguma forma, nosso "arquétipo".

Ao Regente dessa energia predominante, definida no nosso nascimento, denominamos de nosso Orixá pessoal, "Chefe de Cabeça", "Pai ou Mãe de Cabeça", ou o nome esotérico "ELEDÁ".   A forma como nosso corpo reage às diversas situações durante esta encarnação, tanto física quanto emocionalmente, está ligada ao “arquétipo”, ou à personalidade e características emocionais que conhecemos através das lendas africanas sobre os Orixás.  Junto a essa energia predominante, duas outras se colocam como secundárias, que na Umbanda denominamos de "Juntós", corruptela de "Adjuntó", palavra latina que significa auxiliar, ou ainda, chamamos de "OSSI" e "OTUM", respectivamente na sua ordem de influência.
Quando um espírito vai encarnar, são consultados os futuros pais, durante o sono, quanto à concordância em gerar um filho, obedecendo-se à lei do livre arbítrio. Tendo os mesmos concordado, começa o trabalho de plasmar a forma que esse espírito usará no veículo físico. Esta tarefa é entregue aos poderosos Espíritos da Natureza, sendo que um deles assume a responsabilidade dessa tarefa, fornecendo a essa forma as energias necessárias para que o feto se desenvolva, para que haja vida. A partir desse processo, o novo ser encarnado estará ligado diretamente àquela vibração original. Assim surge o ELEDÁ desse novo ser encarnado, que é a força energética primária e atuante do nascimento.

Nesse período, os Elementais trabalham incessantemente, cada um na sua respectiva área, partindo do embrião até formar todas as camadas materiais do corpo humano, que são moldadas até nascer o novo ser com o seu duplo etérico e corpo denso.

Após o nascimento, essa força energética vai promovendo o domínio gradativo da consciência da alma e da força do espírito sobre a forma material até que seja adquirida sua personalidade por meio da Lei do livre Arbítrio. A partir daí essa energia passa a atuar de forma mais discreta, obedecendo a esta Lei, sustentando-lhe, contudo, a forma e energia material pela contínua manutenção e transformação, no sentido de manter-lhe a existência.

A cada reencarnação, de acordo com nossas necessidades evolutivas e carmas a serem cumpridos, somos responsáveis por diferentes corpos, e para cada um destes nossos corpos, podemos contar com o auxílio de um Espírito da Natureza, um Orixá protetor.  É normalmente quem se aproxima do médium quando estes invocam seu Eledá. Em todos os rituais de Umbanda, de modo especial nas Iniciações, a invocação dessa força é feita para todos os médiuns quando efetuam seus Assentamentos, meio de atração, para perto de si, da energia pura do seu ELEDÁ energético e das energias auxiliares, ou "OSSI" e "OTUM.

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

O corpo em equilíbrio e a nossa busca de felicidade



Outro dia li num livro do Dalai Lama a seguinte frase: “Creio que todo ser humano tem 
o desejo inato de felicidade e não quer sofrer”. 
Dalai Lama concluiu o pensamento, dizendo 
que todo ser humano tem o potencial para ter 
paz e atingir sua autêntica felicidade, como um 
propósito maior em sua existência.
Como terapeuta corporal em meu trabalho 
de cuidado, busco compreender 
essa condição em meus massageados, assim como em minha 
jornada pessoal; buscador dessa 
felicidade que sou. Penso que, 
se tivermos a capacidade de 
observar, perceberemos que na 
rua, na escola, no trabalho ou 
no lazer, sempre encontramos 
pessoas em busca dessa felicidade, com esse
propósito final em suas ações 
diárias. Não nos cabe julgar as 
escolhas de cada um e o que 
desejam como felicidade para si.
Cabe, talvez, nos reconhecermos na loucura 
comum, no devaneio do outro, na sensatez ou 
insensatez alheia ou nossa, na força despendida 
por todos nós nessa busca de ser feliz. Sim, é 
legítima qualquer história, qualquer anseio é
legítimo. Qualquer busca ou sonho. Legítimos.
O que acontece é que nem sempre estamos 
preparados para as frustrações, tristezas e dores 
advindas dessa corrida. Muitas vezes nos
deixamos, esquecemos de cuidar de nós mesmos e carregamos tensões, vivemos nos arrastando, acumulamos emoções vulneráveis ao 
desequilíbrio do nosso organismo ao tentar, a 
qualquer custo, atingirmos nosso objetivo final: 
a felicidade. Nosso sucesso, nosso dinheiro, 
nossas conquistas são computados, e sempre 
entendemos o não cumprimento de algumas 
metas como fracasso.
O que poderíamos entender como processo 
desse caminho, se transforma em dor ao constatar que falhamos. O que poderíamos acumular como fonte de experiência a gerar sabedoria, 
entendemos como derrota. Assim, a busca pela
felicidade, transforma-se em martírio e pena. 
É preciso “fazer do sofrimento o seu remé-
dio” como diz o Koan Zen. Encare-o como um 
mestre que o universo lhe deu de presente e o 
aceite com coragem.
Muitos de nós vivemos assim: tristes na busca pela felicidade. E as costas pesam, o pesco-
ço fica rígido, a cabeça esquenta, a respiração 
encurta, os músculos se contraem, os nódulos 
brotam, a pele carrega intolerância, o amor
se confunde com o medo, a felicidade com 
desespero, o sono desajeitado não permite bons 
sonhos, esquecemos de beber água e de silenciar, desistimos de sorrir e de relaxar.
Sobrecarregamos nosso corpo de emoções 
e pedimos para que ele seja forte, que nos dê 
suporte, que nos suporte, que 
sobreviva para além de nós 
mesmos, que seja nosso mártir 
para a conquista da nossa felicidade. Um herói. Mas o
corpo não está fora de nós, o 
corpo somos nós e ele responde aos nossos anseios, o corpo 
compreende nossas mensagens 
e responde em sua profunda 
sabedoria que seria melhor que 
trabalhássemos em parceria 
com ele, que compartilhássemos cuidado e compreensão, 
que respeitássemos nossa voz interior, que fôssemos mais lentos, que pudéssemos rir de nós 
mesmos, que nos enamorássemos do humor, 
enfim, que fossemos mais pacientes, tolerantes, 
tranquilos... Que soubéssemos ler a sua poesia. 
Que desejássemos da vida apenas o que ela é: 
fluxo contínuo yin/yang, luz e sombra, som e 
silêncio, movimento e repouso...
“Sejamos felizes”, o corpo nos diz, mesmo 
com toda adversidade, mesmo com toda desilusão. É isso que podemos nos proporcionar para 
encontrar a felicidade de que fala o Dalai lama. 
Cuidar de nós mesmos e cuidar dos outros.
Sermos compassivos e não passivos diante 
da vida. Há muitas sabedorias e caminhos que 
podemos trilhar: a psicoterapia, a meditação, a 
yoga e as terapias alternativas. Por exemplo, no 
meu caso, as massagens terapêuticas com base 
no conhecimento milenar da medicina chinesa, 
entre outras tradições.
O importante é a busca serena da felicidade, do autoconhecimento sem a ansiedade da 
recompensa, nem julgamentos. O equilíbrio do 
Qi, ou Prana, ou Baraka, a nossa energia vital. 
O corpo agradece e a vida flui.
Marcelo Maluf (escritor)    

domingo, 12 de agosto de 2012

História do dia dos pais


História do dia dos pais

Dizem que o primeiro a comemorar o Dia dos Pais foi um jovem chamado Elmesu, na Babilônia, há mais de 4.000 anos. Ele teria esculpido em argila um cartão para seu pai. Mas a instituição de uma data para comemorar esse dia todos os anos é bem mais recente...

 Em 1909, a norte-americana Sonora Louise Smart Dodd queria um dia especial para homenagear o pai, William Smart, um veterano da guerra civil que ficou viúvo quando sua esposa teve o sexto bebê e que criou os seis filhos sozinho em uma fazenda no Estado de Washington.

Foi olhando para trás, depois de adulta, que Dodd percebeu a força e generosidade do pai.
O primeiro Dia dos Pais foi comemorado em 19 de junho de 1910, em Spokane, Washington. A rosa foi escolhida como a flor oficial do evento. Os pais vivos deviam ser homenageados com rosas vermelhas e os falecidos com flores brancas. Pouco tempo depois, a comemoração já havia se espalhado por outras cidades americanas. Em 1972, Richard Nixon proclamou oficialmente o terceiro domingo de junho como Dia dos Pais.

O pai brasileiro ganhou um dia especial a partir de 1953. A iniciativa partiu do jornal O Globo do Rio de Janeiro, que se propôs a incentivar a celebração em família, baseado nos sentimentos e costumes cristãos. Primeiro, foi instituído o dia 16 de agosto, dia de São Joaquim. Mas, como o domingo era mais propício para as reuniões de família, a data foi transferida para o segundo domingo de agosto.
Em São Paulo, a data foi formalmente comemorada pela primeira vez em 1955, pelo grupo Emissoras Unidas, que reunia Folha de S. Paulo, TV Record, Rádio Pan-americana e a extinta Rádio São Paulo. O grupo organizou um grande show no antigo auditório da TV Record para marcar a data. Lá, foram premiados Natanael Domingos, o pai mais novo, de 16 anos; Silvio Ferrari, de 96 anos, como o pai mais velho; e Inácio da Silva Costa, de 67 anos, como o campeão em número de filhos, um total de 31. As gravadoras lançaram quatro discos em homenagem aos pais. O maior sucesso foi o baião É Sempre Papai, com letra de Miguel Gustavo, interpretada por Jorge Veiga. O Dia dos Pais acabou contagiando todo o território brasileiro e até hoje é comemorado no segundo domingo de agosto.
Muitos países têm datas especiais para homenagear os pais. A Inglaterra e a Argentina também comemoram a data no terceiro domingo de junho. Na Itália e em Portugal, a homenagem acontece no Dia de São José, 19 de março. Na Austrália, é no segundo domingo de setembro. E na Rússia, no dia 23 de fevereiro. 

"PAPAI"


Existe um homem que se esmera no comprimento do dever para dar bom exemplo:
Que fica humilde, quando poderia se exaltar;

Que chora à distancia, a fim de não ser observado;

Que, com o coração dilacerado, se embrutece para se impor como um juiz inflexível;

Que, na ausência, usam-no como temor para evitar uma ação menos correta;

Que quase sempre, é chamado de desatualizado;

Que apenas fisicamente, passa o dia distante, na labuta, por um futuro melhor;

Que, ao fim da jornada, avidamente regressa ao lar para levar muito carinho e, as vezes, pouco receber,

Que esta sempre pronto a ofertar uma palavra orientadora ou relatar uma atitude benfazeja que possa ser imitada;

Que, muitas vezes passa noites mal dormidas a decifrar os segredos da vida, quando extenuado, ainda consegue energias para distribuir energias;

Que é tão humano e sensível, por isso, normalmente, sente a ausência do afeto que lhe é dado raramente e de forma pouco comunicativa.

Que, vibra, se emociona e se orgulha pelos feitos daqueles que tanto ama.

Esse homem geralmente, se agiganta e passa a Ser o valor inexorável quando deixa de existir para sempre.

Nunca perca, pois, a oportunidade de devotar muito carinho e amizade àquele que é seu melhor amigo: SEU PAI. 

( Marco Antonio Struve)