segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

HISTÓRIA DE UM CIGANO


Saudação de luz a você Amado (a), posso falar a você só o que conheço.
Em relação à Linha Cigana, é importante ressaltar que não se confundam os Ciganos de Umbanda com os que agregaram a este Povo por circunstâncias da vida. Sou um Cigano no circunstancial, ou seja, minha mãe teve um relacionamento com um Cigano, e era casada com um importante comerciante de tecidos da cidade de Campos dos Goytacazes – RJ, de tudo ela fez para que eu fosse abortado, não conseguindo, me entregou a cozinheira da casa, para que esta desse rumo a minha vida. A cozinheira por não ter condições para me criar fez uma troca com uma Cigana que estava acampada na Cidade na época, Dona Abigail Amir, que deu em troca, dois anéis de ouro, uma pulseira de ouro branco e dois Brasões da Época do Império, vivi com Dona Abigail até os nove anos de idade. Até que decidi sair pelo mundo…
De quase tudo conheci, por várias localidades do Estado do Rio de Janeiro e do Estado de São Paulo, andei.
Sobrevivi da vida diária: capinei, varri, por ter aprendido a ler, escrevi cartas, fui pescador, contador de histórias… enfim um nômade, um ser errante…
Hoje na Umbanda só falo do que sei, e do que conheço, deixando para os que querem estudar e saber as origens e fundamentos do Povo Cigano, a condição de se responsabilizar pelo que dizem.
Eu sou o Cigano da Umbanda, na Umbanda e pela Umbanda e só sei fazer Umbanda. As Ciganas e os Ciganos com quem eu convivo são como eu: amantes da vida, da natureza e de tudo que é manifestado por ela.
Por exemplo: Beatriz, a Cigana Negra dos Olhos Azuis, que lutou pela dignidade de seu Clã, 43 escravos, que eram tratados de forma sub humana…
Lisandra a virgem de 23 anos, que salvou seus pais da miséria, fazendo espetáculos de danças, sem nunca se deixar corromper pelo sexo…
Raiana, Cigana que acreditou no amor, e pelo homem que amou foi abandonada, vendendo seus préstimos como serviçais domésticos criou quatro filhos, sendo três homens e 1 mulher, um deles tornou-se 1º Tenente na Guerra do Araguaia. Hoje se manifesta na Umbanda…
Conheço tantas outras e tantos outros Ciganos na Umbanda, Almir, sendo braço direito, que guerreio pela defesa dos Quilombos.
Antenor intelectual que dedicou aos livros e as crônicas, que contribuiu para as mudanças Políticas e Sociais deste País.
Bartolomeu filho de uma negra com um branco,…
Eu sou assim… da vida, pela vida e com a vida!!!
PELO ESPIRITO PHILLERMON – TRANSCRITO PELO MÉDIUM ALEX DE OXÓSSI (2003)

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

Por que no meio da dor os negros, dançam, cantam e riem?

Fonte: http://leonardoboff.wordpress.com/2013/12/12/por-que-no-meio-da-dor-os-negros-dancam-cantam-e-riem/

Milhares de pessoa em toda a Africa do Sul misturam choro com dança, festa com lamentos pela morte de Nelson Mandela. É a forma como realizam culturalmente o rito de passagem da vida deste lado para a vida do outro lado, onde estão os anciãos, os sábios e os guardiães do povo, de seus ritos e das normas éticas. Lá está agora Mandela de forma invisível mas plenamente presente acompanhando o povo que ele tant ajudou  a se libertar.
Momentos como estes nos fazem recordar de nossa mais alta ancestralidade humana. Todos temos nossas raízes na Africa, embora a grande maioria o desconheça ou não lhe dê importância. Mas é decisivo que nos reapropriemos de nossas origens, pois elas, de um modo ou de outro, na forma de informação, estão inscritas no nosso código genético e espiritual.
Refiro-me aqui tópicos de um texto que há tempos escrevi sob o título:”somos todos africanos” atualizado face à situação atual mudada. De saída importa denunciar a tragédia africana: é o continente mais esquecido e vandalizado das políticas mundiais. Somente suas terras contam. São compradas pelos grandes conglomerados mundiais e pela China para organizar imensas plantações de grãos que devem garantir a alimentação, não da Africa, mas de seus países ou negociadas no mercado especulativo. As famosas “land grabbing” possuem, juntas, a extensão de uma França inteira. Hoje a Africa é uma espécie de espelho retrovisor de como nós humanos pudemos no passado e podemos hoje ainda  ser desumanos e terríveis. A atual neocolonização é mais perversa que a dos séculos passados.
Sem olvidar esta tragédia, concentremo-nos na herança africana que se esconde em nós. Hoje é consenso entre os paleontólogos e antropólogos que a aventura da hominização se iniciou na África, cerca de sete milhões de anos atrás. Ela se acelerou passando pelo homo habilis, erectus, neanderthalense até chegar ao homo sapiens cerca de noventa mil anos atrás. Depois de ficar 4,4 milhões de anos em solo africano este se propagou para a Asia, há sessenta mil anos; para a Europa, há quarenta mil anos; e para as Américas há trinta mil anos. Quer dizer, grande parte da vida humana foi vivida na África, hoje esquecida e desprezada.
A África além de ser o lugar geográfico de nossas origens, comparece como  o arquétipo primal: o conjunto das marcas, impressas na alma de todo ser humano. Foi na África que este elaborou suas primeiras sensações, onde se articularam as crescentes conexões neurais (cerebralização), brilharam os primeiros pensamentos, irrompeu a criatividade e emergiu a complexidade social que permitiu o surgimento da linguagem e da cultura. O espírito da África, está presente em todos nós.
Identifico três eixos principais do espírito da África que  podem nos inspirar na superação da crise sistêmica que nos assola.
O primeiro é o amor à Mãe Terra, a Mama Africa. Espalhando-se pelos vastos espaços africanos, nossos ancestrais entraram em profunda comunhão com a Terra, sentindo a interconexão que todas as coisas guardam entre si, as águas, as montanhas, os animais, as florestas e as energias cósmicas. Sentiam-se parte desse todo. Precisamos nos reapropriar deste espírito da Terra para salvar Gaia, nossa Mãe e única Casa Comum.
O segundo eixo é a matriz relacional (relational matrix no dizer dos antropólogos). Os africanos usam a palavra ubuntu que singifica:”eu sou o que sou porque pertenço à comunidade” ou “eu sou o que sou através de você e você é você através de mim”. Todos precisamos uns dos outros; somos interdependentes. O que a física quântica e a nova cosmologia dizem acerca de interconexão de todos com todos é uma evidência para o espírito africano.
À essa comunidade pertencem os mortos como Mandela. Eles não vão ao céu, pois o céu não é um lugar geográfico, mas um modo de ser deste nosso mundo.  Os mortos continuam no meio do povo como conselheiros e guardiães das tradições sagradas.
O terceiro eixo são os rituais e celebrações. Ficamos admirados que se dedique um dia inteiro de orações por Mandela com missas e ritos. Eles sentem Deus na pele, nós ocidentais na cabeça. Por isso dançam e mexem todo o corpo enquanto nós ficamos frios e duros como um cabo de vassoura.
Experiências importantes da vida pessoal, social e sazonal são celebrados com ritos, danças, músicas e apresentações de máscaras. Estas representam as energias que podem ser benéficas ou maléficas. É nos rituais que ambas se equilibram e se festeja a primazia do sentido sobre o absurdo.
Notoriamente é pelas festas e ritos que a sociedade refaz suas relações e reforça a coesão social. Ademais nem tudo é trabalho e luta. Há a celebração da vida, o resgate das memórias coletivas e a recordação das vitórias sobre ameaças vividas.
Apraz-me trazer o testemunho pessoal de um dos nosos mais brilhantes jornalistas, Washington Novaes:”Há alguns anos, na África do Sul, impressionei-me ao ver que bastava se reunirem três ou quatro negros para começarem a cantar ea  dançar, com um largo sorriso.Um dia, perguntei a um jovem motorista de taxi:”Seu povo sofreu e ainda sofre muito. Mas basta se juntarem umas poucas pessoas e vocês estão dançando, cantando, rindo. De onde vem tanta força?” E ele: “Com o sofrimento, nós aprendemos que a nossa alegria não pode depender de nada fora de nós. Ela tem de ser só nossa, estar dentro de nós.”
Nossa população afrodescendente nos dá a mesma amostra de alegria que nenhum capitalismo e consumismo pode ofecer.

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

A história de Iansã Oiá

Iansã





Iansã

A história de Iansã Oiá, literalmente, “aquela que rasga”, e que eu reconto aqui é para elas:

Iansã Oiá tinha um pai adotivo e vivia com ele na mata.
Ele era o maior de todos os caçadores.
Um dia, morreu e deixou Oiá muito triste.
Ela decidiu que queria fazer uma homenagem para o pai.
Embrulhou seus pertences de caça num pano, preparou suas iguarias favoritas.
E dançou e cantou por sete dias, espalhando seu vento por toda parte e fazendo vir todos os caçadores da terra.
Na sétima noite, embrenhou-se na mata e depositou ao pé de uma árvore sagrada os pertences de seu pai.
Olorum, que sempre vê tudo, ficou comovido.
Fez da jovem Iansã guia dos mortos no caminho sagrado, Orum Aiê e mãe dos espaços dos espíritos.
Fez de seu pai, Odulecê, um orixá.
E do gesto de Oiá, o ritual ao qual todos os mortos têm direito: comidas, cantos, danças e um espaço sagrado…
Iansã teve muitos homens e de cada um ganhou uma coisa importante:
De Ogum, o ferreiro divino, ganhou nove filhos e o direito de usar a espada para defender-se e defender os outros;
De Oxaguiã, o jovem construtor, ganhou um escudo para proteger-se dos inimigos;
De Exu, o mensageiro, ganhou o direito de usar a magia e o poder do fogo para realizar desejos;
De Oxóssi, o caçador, ganhou o saber da caça para alimentar seus filhos;
De Logun Edé, o senhor das matas, ganhou o direito de tirar das cachoeiras os frutos d’ água para seus filhos;
Com Xangô, o juiz, viveu o resto da vida e ganhou dele o poder do encantamento, o posto da justiça e o domínio dos raios.
Um dia, houve uma festa, todos os orixás estavam presentes.
Omulu-Obaluaê, o temido orixá das doenças, chegou vestido de palha. Ninguém o reconheceu e nenhuma mulher quis dançar com ele.
Mas eis que, de repente, Oiá-Iansã entra na roda e atreve-se a dançar com o Senhor da Terra.
E tanto girava que levantou o vento, e o vento descobriu a palha de Omulu.
Todos puderam ver o quanto ele era belo.
E o reverenciaram.
Ele ficou tão grato que fez de Oiá a rainha dos espíritos dos mortos, Oiá Igbalé, a condutora dos eguns, os espíritos dos mortos).
E ela dançou de alegria a sua dança que convoca o vento.
As filhas de Iansã devem ser assim, apaixonadas, amantes dos temporais, amazonas de ventanias…

domingo, 5 de janeiro de 2014

HOMENAGEM AO FEMININO




"Certo dia parei para observar as mulheres e só pude concluir uma coisa: elas não são humanas. São espiãs. Espiãs de Deus, disfarçadas entre nós.

Pare para refletir sobre o sexto-sentido.
Alguém duvida de que ele exista?

E como explicar que ela saiba exatamente qual mulher, entre as presentes, em uma reunião, seja aquela que dá em cima de você?

E quando ela antecipa que alguém tem algo contra você, que alguém está ficando doente ou que você quer terminar o relacionamento?

E quando ela diz que vai fazer frio e manda você levar um casaco? Rio de Janeiro, 40 graus, você vai pegar um avião pra São Paulo. Só meia-hora de vôo. Ela fala pra você levar um casaco, porque "vai fazer frio". Você não leva. O que acontece?
O avião fica preso no tráfego, em terra, por quase duas horas, depois que você já entrou, antes de decolar. O ar condicionado chega a pingar gelo de tanto frio que faz lá dentro!
"Leve um sapato extra na mala, querido.
Vai que você pisa numa poça..."
Se você não levar o "sapato extra", meu amigo, leve dinheiro extra para comprar outro. Pois o seu estará, sem dúvida, molhado...

O sexto-sentido não faz sentido!

É a comunicação direta com Deus!
Assim é muito fácil...
As mulheres são mães!

E preparam, literalmente, gente dentro de si.
Será que Deus confiaria tamanha responsabilidade a um reles mortal?

E não satisfeitas em ensinar a vida elas insistem em ensinar a vivê-la, de forma íntegra, oferecendo amor incondicional e disponibilidade integral.
Fala-se em "praga de mãe", "amor de mãe", "coração de mãe"...

Tudo isso é meio mágico...
Talvez Ele tenha instalado o dispositivo "coração de mãe" nos "anjos da guarda" de Seus filhos (que, aliás, foram criados à Sua imagem e semelhança).

As mulheres choram. Ou vazam? Ou extravazam?

Homens também choram, mas é um choro diferente. As lágrimas das mulheres têm um não sei quê que não quer chorar, um não sei quê de fragilidade, um não sei quê de amor, um não sei quê de tempero divino, que tem um efeito devastador sobre os homens...

É choro feminino. É choro de mulher...

Já viram como as mulheres conversam com os olhos?

Elas conseguem pedir uma à outra para mudar de assunto com apenas um olhar.
Elas fazem um comentário sarcástico com outro olhar.
E apontam uma terceira pessoa com outro olhar.
Quantos tipos de olhar existem?

Elas conhecem todos...

Parece que freqüentam escolas diferentes das que freqüentam os homens!
E é com um desses milhões de olhares que elas enfeitiçam os homens.

EN-FEI-TI-ÇAM !

E tem mais! No tocante às profissões, por que se concentram nas áreas de Humanas?
Para estudar os homens, é claro!
Embora algumas disfarcem e estudem Exatas...

Nem mesmo Freud se arriscou a adentrar nessa seara. Ele, que estudou, como poucos, o comportamento humano, disse que a mulher era "um continente obscuro".
Quer evidência maior do que essa?
Qualquer um que ama se aproxima de Deus.
E com as mulheres também é assim.

O amor as leva para perto dEle, já que Ele é o próprio amor. Por isso dizem "estar nas nuvens", quando apaixonadas.
É sabido que as mulheres confundem sexo e amor.
E isso seria uma falha, se não obrigasse os homens a uma atitude mais sensível e respeitosa com a própria vida.
Pena que eles nunca verão as mulheres-anjos que têm ao lado.
Com todo esse amor de mãe, esposa e amiga, elas ainda são mulheres a maior parte do tempo.
Mas elas são anjos depois do sexo-amor.
É nessa hora que elas se sentem o próprio amor encarnado e voltam a ser anjos.
E levitam.
Algumas até voam.
Mas os homens não sabem disso.
E nem poderiam.
Porque são tomados por um encantamento
que os faz dormir nessa hora." (Luis Fernando Veríssimo)


Por  Carla Deri

Com gratidão acolho a todas as "mulheres" da minha vida...as que me criaram, as que partiram cedo, as que vieram e compartilharam, as que deixaram marcas indeléveis, as que muito exemplificaram, as que muito falaram, as que criaram sonhos comigo, as que plantaram sorrisos, as que colheram tempestade, as que cozinharam junto, as que conversam mentalmente, as que se afastaram, as que se calaram, as que me machucaram, as que curaram, as que choraram comigo e por mim, as que ainda estão por vir...e as que não conhecerei!

Que neste dia o sagrado feminino seja celebrado no ventre da mulher que cria vida e no coração do homem que compartilha a sensibilidade de reconhecer a singeleza da sua parcela feminina de ser. E para os que ainda não despertaram, que o tempo seja gentil...permitindo que flua a natureza de ser o que se é...

Bendita seja a Mãe Terra que acolhe seus "filhos" na mais bela gestação de Amor! Que nossos pés saibam se enraizar e se reconectar com a natureza do mundo e com a natureza de sermos mulheres!!

sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

NOSSA AGENDA 2014

Atendimento Espiritual de Umbanda
Janeiro
Fevereiro
Março
Abril
02
Atividade Suspensa
09
Direita
16
Cigano
23
Direita
30
Esquerda
06
Caboclo
09
Cachoeira (*)
13
Cigano
20
Direita
27
Esquerda
(*) Confirmar
06
Baiano
13
Cigano
20
Direita
27
Esquerda


03
Cigano
10
Esquerda
17
Direita
24
Festa Ogum


Grupo Apométrico
Terça-feira – 19 horas

Trabalho com Guardiões

Terça-feira – 20 horas



As datas poderão sofrer alterações